Quarta-feira, 29 de Agosto de 2012
As oportunidades "que nos escapam"
Bom,

Bem hajam as senhoras que tiveram a visão, o espirito empreendedor e a visão. Bem haja este símbolo, este pano, a nossa capulana. Ora, de longe quero desvalorizar a Íris Santo ou Carla Pinto, duas mulheres portuguesas que se apaixonaram pela nossa capulana e dela viram uma oportunidade de negocio. Óptimo!

O que quero mostrar é que nos moçambicanos andamos "cegos". Ora usamos a capulana para tudo e mais alguma coisa, mas nunca nos surgiu esta ideia de comercializar e como diz a Íris "capulanizar" o mundo. Pelo menos nao acreditamos suficientemente naquilo que é nosso, será falta de amor ou de ambição?

A verdade é que a ambição nao tende ser a algo positivo, mas nos temos que fazer algo pelo nosso pais, temos que produzir, criar empregos e depender mais de nos e nao esperar que sejam sempre os de fora. Os de fora surgem e ainda bem e dão-nos exemplos como estes, de que coisas simples para nos banais podem dar frutos. Temos que estar mais atento, olhar para o que temos e pensar de que forma podemos dar ao mundo ou somente trocar entre nós.

Temos que tambem pensar "outside the box", olhar para o nosso meio de uma forma critica e detectar as oportunidades. Somos vistos pelos de fora como um país das oportunidades e nao nos questionamos porque? O que temos ou o que ainda pode ser feito?

Tomemos estas e outros como exemplos e comecemos nos a empreender, a criar, a inovar e a valorizar o que é nosso. É importante pegarmos nos nos pequenos negócios. É importante começarmos já. Sentemo-nos à mesa com os estrangeiros e os escutemos. Sentemo-nos à mesa com moçambicanos de outros cantos do pais e os escutemos. Vamos trocar ideias, entender o que temos de diferente, saber o que nos diferencia, o que as pessoas gostam, o que pode ser útil, o que a nos faz falta e há noutros lugar. Vamos apontar os pontos fortes e pontos fracos. Vamos optimizar os pontos fortes e minimizar os francos. Vamos evoluir, vamos crescer entre nos, não fiquemos a espera que seja o governo ou os megaprojectos a salvar a nossa sociedade. Vamos ser a criar a sustentabilidade do nosso pais e a fazer crescer as nossas comunidade. Vamos pensar globalmente e agir localmente. That's the thing!

Vamos antes que seja tarde!


"Por razões familiares, Carla teve que mudar-se para Cuamba. Aqui, a empresária decidiu criar algo de raiz, usando matéria-prima local. Como corre-lhe no sangue o espírito marketeer, mal chegou àquela província questionou-se: “O que é que se pode fazer daqui?”

Atenta e boa observadora, reparou que “em qualquer parte todas as mulheres usavam capulana.”
http://mulher.sapo.mz/carreira-vida/carreira/carla-pinto-9624-0.html

"Designer de profissão, Iris Santos chegou a Maputo a convite do seu namorado, o músico Stewart Sukuma, e nessa altura mal se podia adivinhar que a sua segunda paixão viria logo a seguir: o gosto pela capulana.

Quando chegou a Moçambique o primeiro presente do namorado foram duas capulanas para usar em casa, um hábito comum nas mulheres moçambicanas. ‘Quando olhei para as capulanas, para aquelas cores, aqueles padrões, fiquei simplesmente encantada’, afirma Iris. Logo de imediato a sua mente viajou para as inúmeras coisas que poderia fazer com aquelas duas peças. Surgiu-lhe então a ideia de fazer aqueles vestidos que outrora sonhara quando tinha apenas 6 anos de idade. Começava assim a realização de um sonho antigo.

No início pensou em fazer vestidos só para ela, mas a procura e a curiosidade das pessoas dentro e fora do país fizeram com que a designer de 26 anos começasse a vender as suas criações."
http://mulher.sapo.mz/carreira-vida/carreira/iris-santos-238566-0.html

Parabéns para elas e continuação de um óptimos trabalho, vamos apoiar, pois estão a dar a cara pelo nosso pais.
















No entanto, não foi da oportunidade de negócio que vislumbrava que nasceu o seu projecto, mas sim da união entre uma velha paixão, a moda e uma nova, os tecidos africanos que todas “as mulheres moçambicanas usavam”, a capulana. “Aquelas cores fortes atraíram-me, foi logo paixão à primeira vista.“, contou com entusiasmo Carla Pinto.


http://mulher.sapo.mz/carreira-vida/carreira/carla-pinto-9624-0.html

sinto-me: Ansioso
música: Elisa we

publicado por Elisa Wê às 06:06
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Sexta-feira, 24 de Agosto de 2012
De onde vem o dinheiro? Da que pensar...
"Convém que as pessoas da nação não entendem nosso sistema bancário e monetário, porque se o soubessem, eu acredito que haveria uma revolução antes de amanhã de manhã." - Henry Ford

sinto-me: Curioso

publicado por Elisa Wê às 21:52
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EUA: Várias pessoas baleadas perto do Empire State Building em Nova
Este é um mundo em que vivemos... Que se passa com as pessoas?

"Duas pessoas morreram e pelo menos oito ficaram feridas num tiroteio junto ao Empire State Building em Nova Iorque. O FBI já afastou a hipótese de atentado terrorista."

Cada vez mais se valoriza menos a vida humana, podera quem esta no topo trata as pessoas como meros objectos... We learn from the best... É a ira, a revolta e as psicoses.. A confusão de ser parte deste mundo, n encontrar um motivo na vida, uma vez que tudo se move a dinheiro... E o dinheiro n é nada...

Note-se que:

Os EUA foram palco de outros dois tiroteios este verão. A 20 de Julho, James Holmes, de 24 anos, matou 12 pessoas e feriu 58 num ataque num cinema no Colorado durante a projecção do filme "Batman - O Cavaleiro das Trevas Renasce". A 5 de Agosto, um atirador matou seis pessoas e feriu gravemente outras três num templo Sikh em Milwaukee.

A noticia na integra:

http://noticias.sapo.mz/info/artigo/1264937.html

Fuck this hell world!

sinto-me: Zangado

publicado por Elisa Wê às 19:36
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A angolanização de Moçambique em curso?
O site Buala publicou um texto deveras interessante, "Moçambique: a maldição da abundância" (para os mais interessados disponibilizo o link no final). É um texto de um doutor de sociologia, Boaventura de Sousa Santos, que a meu ver faz uma analise inteligente e que reflecte o mundo em que vivemos e como funciona o capitalismo dos nossos dias. Moçambique pode ser a metáfora que os mais distraídos necessitam para entender o funcionamento do sistema capitalista. Isto devia ser acompanhado pelo mundo, por quem ainda acredita neste sistema anti-socialista, que priveligia o lucro de uns, em vez do bem-estar social, o equilíbrio e distribuição da riqueza por todos. É por isso que se canta: "e o motivo todo mundo já conhece é que o de cima sobe e o debaixo desce".

Este grande senhor português, o Boaventura, conduziu investigações em Moçambique entre 1997 e 2003. Por tal, visitou a nossa casa varias vezes. No texto diz ter acabado de nos visitar e que da visita colheu uma dupla impressão que com a sua solidariedade com o nosso povo se transforma em dupla inquietação. Nas suas palavras:

" A primeira tem precisamente a ver com a orgia dos recursos naturais. As sucessivas descobertas (algumas antigas) de carvão (Moçambique é já o sexto maior produtor de carvão a nível mundial), gás natural, ferro, níquel, talvez petróleo anunciam um El Dorado de rendas extrativistas que podem ter um impacto no país semelhante ao que teve a independência. Fala-se numa segunda independência. Estarão os moçambicanos preparados para fugir à maldição da abundância? Duvido."

E o que é a maldição da abundância? Boaventura explica que é uma expressão usada para caracterizar os riscos "que correm os países pobres onde se descobrem recursos naturais objeto de cobiça internacional. A promessa de abundância decorrente do imenso valor comercial dos recursos e dos investimentos necessários para o concretizar é tão convincente que passa a condicionar o padrão de desenvolvimento económico, social, político e cultural."

"Os riscos desse condicionamento são, entre outros:
* crescimento do PIB em vez de desenvolvimento social: fica bem estaticamente, ilude;
* corrupção generalizada da classe política que, para defender os seus interesses privados, se torna crescentemente autoritária para se poder manter no poder, agora visto como fonte de acumulação primitiva de capital;
*aumento em vez de redução da pobreza: riqueza mal distribuída, passa a concentrar-se e a ser controlada por uma minoria;
*polarização crescente entre uma pequena minoria super-rica e uma imensa maioria de indigentes;
*destruição ambiental e sacrifícios incontáveis às populações onde se encontram os recursos em nome de um “progresso” que estas nunca conhecerão;
*criação de uma cultura consumista que é praticada apenas por uma pequena minoria urbana mas imposta como ideologia a toda a sociedade;
* supressão do pensamento e das práticas dissidentes da sociedade civil sob o pretexto de serem obstáculos ao desenvolvimento e profetas da desgraça.
Em suma, os riscos são que, no final do ciclo da orgia dos recursos, o país esteja mais pobre econômica, social, política e culturalmente do que no seu início.

A verdade é que as empresas só tem um único objectivo: lucro. Podem ter muita coisa como missão, mas no final do dia, todas procuram o mesmo, ter lucro. E os mercados são competitivos e quanto maior for o lucro mais fortes ficam e utilizam "n" métodos para o conseguir, sendo o mais praticado, a minimizacao dos custos. As empresas nao procuram Moçambique porque são solidarias, apenas porque tem interesses. O governo tem que mostrar resultados, assim é fácil. Crescemos 8%, Moçambique é das economias que mais cresce e contrária a crise financeira que se alastra nesse mundo fora... Bonito de se ler e se escutar. E o que interessa? Quantos pobres se erradicaram? Qual a evolução da SIDA? o número diminui? E a agua? Os acessos? Melhorou-se a qualidade de vida dos mais pobres? Habitações sociais? Rendimentos? Protecção social? Acesso saude? enfim... Há tanto bem mais importante e com mais valor.

Questiono, quantas crianças estarão neste momento a chorar a fome? E mães em desespero a caminhar por uma nao estrada com um bebe as costas com cóleras ou desidratado. Ninguém pensa nisto? Quando vamos deixar de ter crianças pedintes nas nossas ruas e a te-las numa sala de aula, preparando o Moçambique do amanha.

"As grandes multinacionais, algumas bem conhecidas dos latino-americanos, como a Rio Tinto e a brasileira Vale do Rio Doce (Vale Moçambique) exercem as suas atividades com muito pouca regulação estatal, celebram contratos que lhe permitem o saque das riquezas moçambicanas com mínimas contribuições para o orçamento de estado (em 2010 a contribuição foi de 0,04%), violam impunemente os direitos humanos das populações onde existem recursos, procedendo ao seu reassentamento (por vezes mais de um num prazo de poucos anos) em condições indignas, com o desrespeito dos lugares sagrados, dos cemitérios, dos ecossistemas que têm organizado a sua vida desde há dezenas ou centenas de anos. "

Nota: A Vale esta só cotada como uma das piores empresas do mundo, senão a pior. Difícil conseguir isto nao? Ela conseguiu vencer a empresa Tepco, responsável responsável pela usinas nucleares de Fukushima no Japão... Enfim...

"Sempre que as populações protestam são brutalmente reprimidas pelas forças policiais e militares." ->grande exemplo agora na África do Sul...

"Sempre que as populações protestam são brutalmente reprimidas pelas forças policiais e militares. A Vale é hoje um alvo central das organizações ecológicas e de direitos humanos pela sua arrogância neo-colonial e pelas cumplicidades que estabeleceu com o governo. Tais cumplicidades assentam por vezes em perigosos conflitos de interesses, entre os interesses do país governado pelo Presidente Guebuza e os interesses das empresas do empresário Guebuza donde podem resultar graves violações dos direitos humanos como quando o ativista ambiental Jeremias Vunjane, que levava consigo para a Conferência da ONU, Rio+20, denúncias dos atropelos da Vale, foi arbitrariamente impedido de entrar no Brasil e deportado (e só regressou depois de muita pressão internacional), ou quando, às organizações sociais é pedida uma autorização do governo para visitar as populações reassentadas como se estas vivessem sob a alçada de um agente soberano estrangeiro. "

E dentro deste pensamento que Boaventura coloca a hipótese de estar em curso a angolanizacao de Moçambique. Contudo, ele defende que nao será um processo linear. Felizmente, Moçambique é diferente de Angola. Salve! "a liberdade de imprensa é incomparavelmente superior; a sociedade civil está mais organizada; os novos-ricos têm medo da ostentação porque ela zurzida semanalmente na imprensa e também pelo medo dos sequestros; o sistema judicial, apesar de tudo, é mais independente para atuar; há uma massa crítica de acadêmicos moçambicanos credenciados internacionalmente capazes de fazer análises sérias que mostram que “o rei vai nu”. "

E Boaventura ainda continua, mas eu já desabafei e isto da que pensar ou reflectir... A mim chega mesmo a tirar o sono, nao fossem agora 5 de manha. Para os mais interessados, o link do texto na integra: http://www.buala.org/pt/a-ler/mocambique-a-maldicao-da-abundancia

E senhor termina bem o texto, nao se lembrasse ele de citar um grande lá da minha cidade, Quelimane, Eduardo White. E aproveitando a deixa me vou: “nós que não mudamos de medo por termos medo de o mudar".

Ate outro desabafo!

sinto-me: Revoltado
música: Rage Against Machine: Killing in the name of

publicado por Elisa Wê às 04:03
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